Na "Folha" de hoje: JUCA KFOURI
Campeão dos campeões
O valor do título corintiano está em ter sido ganho num torneio em que eliminou o campeão brasileiro |
O 26º título estadual do Corinthians valeria tanto quanto o 25º, o 24º, o 23º etc, ou seja, todos aqueles posteriores aos anos 80, quando esses títulos já não valiam quase nada e receberam, aqui, o apelido de Paulistinha.
Mas, de fato, este valeu mais.
Pelo simples motivo de ter reintroduzido o Corinthians no rol dos grandes, depois do vexame da Segunda Divisão.
Sim, porque o título veio numa competição em que estavam dois times paulistanos que estão na Libertadores, um deles, o São Paulo, o atual campeão Brasileiro. Que o Corinthians, inclusive, derrotou duas vezes, em casa e fora.
O que o habilita a pensar maior em 2009, principalmente porque tem Ronaldo Fenômeno.
E pensar maior imediatamente é pensar na Copa do Brasil, competição que deixou escapar no ano passado, quando já poderia ter readquirido o diploma de grande.
Verdade que há um Inter nesta Copa, favorito destacado ao título.
Mas se o Corinthians já era o clube mais vezes campeão de São Paulo, ampliou também a vantagem como campeão invicto, com cinco conquistas, duas a mais que o rival Palmeiras, o último a conseguir a façanha, 37 anos atrás.
Aliás, apenas 15 vezes, em 108 edições do torneio, houve campeões invictos e, no profissionalismo, só quatro vezes: uma com o São Paulo, em 1946, a do Palmeiras, em 1972, e duas com o Corinthians, em 1938 e agora.
Claro que este título estadual é menor que aqueles dos Centenários da Independência e da fundação de São Paulo, como é menor que o da Libertação, em 1977, e até mesmo que os dois da Democracia Corinthiana, em 1982/83.
Acontece que a arrancada final, desde o empate dramático com o Palmeiras, com Ronaldo nos acréscimos, até as vitórias diante de São Paulo e Santos, nas circunstâncias fenomenais em que se deram, magnificaram a conquista do que seria apenas e tão somente mais um Paulistinha para a coleção.
O empate 1 a 1 com o Santos teve momentos dramáticos, quando, logo depois do 1 a 0 santista, Paulo Henrique desperdiçou chance para fazer 2 a 0. Até ali, só dava Santos.
Então, para felicidade geral da nação corintiana, André Santos empatou, em enfiada preciosa de Dentinho, apenas seis minutos depois.
O bastante para o Corinthians se ajeitar, tomar conta das coisas e dominar não apenas o restante do primeiro tempo como o jogo todo, só não fazendo 2 a 1 porque Ronaldo teve um momento de preciosismo e tentou encobrir Fábio Costa quando não precisava.
Enfim, está aí o Corinthians, capaz de ganhar um campeonato sem nada que o chamusque.


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